Emir Ribeiro completa 50 anos!!! Uma vida dedicada aos quadrinhos brasileiros!!!

Por Adrienne Bessa

Há 50 anos nascia, no dia 7 do mês de abril, Emir Lima Ribeiro, o mais comentado e polêmico artista de quadrinhos do Brasil.
Criador de Velta, a famosa e sensual heroína brasileira, Emir descende de um ramo da família do famoso pintor paraibano Pedro Américo, ao que atribui sua propensão para as artes gráficas.

Desde os 6 anos de idade, lê e coleciona gibis. Devido ao gosto pelo desenho e à criatividade, logo cedo passou a produzir histórias desenhadas, de forma amadora.

Seu primeiro personagem, em 1969, foi o engraçado Sabido. Mas, a criação que o tornou famoso foi Velta, em 1973.

De espírito irrequieto, contestador e contrário a imposições, Emir dotou Velta de todas as qualidades e atributos que se contrapõem ao estabelecido pelo mercado de quadrinhos, dominado pelos violentos super-heróis americanos.
Velta apareceu se rebelando contra os quadrinhos machistas carregados de propaganda e ideologia capitalistas, e contra a censura truculenta do regime ditatorial militar brasileiro, usando roupas sumárias e grande apelo erótico, além de uma personalidade forte e independente.

A personagem estava longe de ser a coitadinha burra ou a coadjuvante que se metia em encrencas para ser salva pelo herói musculoso de queixo anguloso. Ao contrário, era ela quem “salvava” o dia, com sua inteligência e seus poderes.

Dois anos após criada, Velta começou a ser publicada, profissionalmente, em dois jornais da Paraíba, terra natal de Emir. Foi nesses veículos, que na época abriam espaço em tiras e cadernos especiais para os quadrinhos, que Emir Ribeiro lançou outros personagens, como o índio Itabira, a biônica Nova e o misterioso Homem de Preto. Daí em diante não parou mais!

Os personagens do paraibano ganharam o Brasil em fanzines, revistas independentes ou de editoras profissionais. Sempre buscando ampliar os horizontes, Emir chegou ao máximo do arrojo: com recursos próprios e atores amadores, produziu dois filmes, em vídeo, com o Desconhecido Homem de Preto, nos anos de 1989 e 1993.

Mas, a arte de Emir também não passou despercebida pelas editoras americanas de super-heróis, que o contrataram para desenhar vários personagens mundialmente conhecidos, entre 1993 e 2006.

“Era um trabalho que não me realizava profissionalmente, e o fiz apenas pelo bom pagamento”, comenta Emir. “Apesar do volume de dinheiro ganho, trabalhar para os norte-americanos foi traumático. Primeiramente, por conta da eterna pressa em aprontar o material. Os editores queriam que se fizesse uma história de 22 a 24 páginas em um mês e, quase sempre, o tratamento dispensado por eles era desrespeitoso. Até pareciam Deuses, tal era a arrogância,” conclui o artista.

Atualmente, Emir Ribeiro optou por fazer apenas desenhos ou histórias sob encomenda para particulares, pois, a despeito do pagamento mais baixo, não lhe traz a mesma carga de estresse que havia com as editoras americanas. Além das artes para os fãs, Emir mantém os lançamentos anuais de gibis, a fim de satisfazer o público que conquistou no Brasil.

Ao completar 50 anos de idade, Emir não mudou sua visão contestadora e independente de fazer quadrinhos voltados a afrontar a ditadura de mercado e a mesmice rotineira dominante. Por isso mesmo, vive sendo insistentemente combatido por aqueles que se acomodaram e não gostam de mudanças.

Em reconhecimento à sua luta pelos quadrinhos brasileiros, Emir vem sendo anualmente agraciado com diversos troféus e prêmios, obtidos através de votações realizadas entre leitores e fãs de gibis, que constituem uma forma do público demonstrar admiração, respeito, carinho e agradecimento por mais de 35 anos dedicados a essa forma de arte.

Parabéns, Emir! E não pare!

 




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